quinta-feira, 16 de abril de 2009

SONETO DE AMOR


Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterrra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!


José Régio

3 comentários:

  1. Individuos engraçados estes,
    Que na sua Loucura, são os mais sãos.
    Pois não se iludem com falsos presagios,
    Com falsas premissas...
    Com falsas formas de amar, e Viver!

    ResponderEliminar
  2. Belíssimo poema.
    José Régio usava uma linguagem simples, que ainda hoje chega à alma, e que em simples palavras traduz o amor.
    A vida sem disfarce, tem o verdadeiro amor, mas alguém não usa o disfarce?
    Podem ser momentâneos, mas nem sempre é para toda a vida.
    Amar, é de alguma forma, encontrar-mo-nos. Muitas vezes sonhamos com o amor e, quando o encontramos descobrimos que não é para sempre, e voltamos a reinventá-lo e novamente o descobrimos.

    Um abraço,
    Lumena

    ResponderEliminar
  3. E enquanto precepção que é [o amor], talvez distorcida da verdade e tambem subjugavel a nivel psicologico, quê que resta no fim? Uma busca desvairada... de duas línguas... de dois corpos... de um prazer!

    "Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-solenemente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa." - Fernando Pessoa

    ResponderEliminar