quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os astros nascem,
Crescem e morrem
Sem aflição,
Por isso correm
Sem que perguntem
P'ra onde vão.

O fácil espaço
Foi-lhes materno
Ventro fecundado;
Nasci num quarto,
Nasci dum parto
E foi magoando
Que vim ao mundo.

Nasci rasgando
Quem me sonhava
Antes que mesmo
Me concebesse;
Não sei dum astro,
Tão impiedoso,
Que ao espaço agravos
Tamanhos desse!

Nasci rompendo
Quem me continha
No grácil ventre
Desfigurado,
Como um sacrário
Vaso sagrado!

Mãos impacientes
De me tocarem
Logo estendia
Quem eu magoava
E ensaguentava
Quando nascia!

Nascença de astros
Não tem valor:
Que o fácil espaço
Pare-os sem dor.


Reinaldo Ferreira

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